O Dick
era um cão doce, carinhoso, meigo, brincalhão, leal e
muito protector.
Além
disso, também era muito inteligente e entendia tudo o
que lhe dizia...
Um dia
encontrei-o abandonado na rua, junto de outros cães que
eu alimentava e dava alguns minutos de atenção, numa
zona de moradias perto da Estação da Granja. Quando
comecei a ter problemas com pessoas de um prédio ao lado
das moradias por ir fazer festas ao cão, e vendo a
hipótese de o colocar em Fat cada vez mais impossível,
comecei a procurar uma casa para me mudar para o poder
levar comigo, visto não estar na minha, nesse pouco
tempo que esteve na rua, junto com duas cadelinhas
pequenas e um cão, nunca se atirou a ninguém e sempre
foi meigo e carinhoso, contudo, havendo pessoas que, por
algum motivo, odeiam animais, tentaram matá-lo...
Um dia
cheguei lá e o Dick tinha uma ferida junto ao rabo, uma
senhora dessas moradias, que tomava conta dele e também
o alimentava disse-me, que alguém do prédio lhe tinha
batido com as costas de um
machado, foi tratado e ficou bom.
Um mês
depois foi alvejado durante a noite, milagrosamente a
bala passou entre o coração e os pulmões sem lhes tocar,
entrando ao lado da pata esquerda e saindo ao lado da
pata direita.
Desde esse dia ele nunca mais foi o mesmo,
sempre triste, encostado a um canto e lembro-me,
particularmente, de uma noite, em que repentinamente se
ouviram foguetes e ele correu com um ar assustado e deitou-se
num canto, tenho fotos
inclusivé, que colocarei porteriormente.
Dias depois
disso o Dick desapareceu, para meu grande desgosto. A
senhora da moradia disse-me que ouvira um
carro e um cão ganir às 3h da manhã mas nunca imaginou
que fosse algo de mal...
Desde
esse dia nunca mais se soube dele...
(Enquanto o alimentei e o fui ver, várias vezes ao dia,
sofri injúrias de pessoas, numa das noites em que estava
com o Dick, sentada na relva a fazer-lhe festas, vieram
do tal prédio, um homem e uma mulher e um rapaz
perguntar que estava ali a fazer como se a rua não fosse
pública e o jardim fosse deles, como eu lhes respondi e
não fiquei calada, o rapaz de repente apareceu com mais
amigos, eram 7 ou mais, nessa altura o Dick fugiu e eu dirigi-me
calmamente para o carro, mas os anormais atiraram-me com
pedras, e ainda, passado 3 anos tenho a marca delas no
capot do meu carro, pensei ir à polícia, mas adivinhem
porque não fui, porque ou a polícia lá ía e os anormais
se vingavam nos cães ou a própria polícia chamava o
canil...)
Nunca
hei-de aceitar esta situação horrível, estamos num País
sem justiça e sem honra...
Ajudem-me a encontrar o Dick e a descobrir quem lhe fez
mal...
Estas fotos foram tiradas quando a descobrimos pela
primeira vez, a Laica foi abandonada num pátio de uma
casa vazia, deixada acorrentada e muito magra, sem água,
comida ou sequer um abrigo da chuva. Deixaram-na para
morrer...
Começámos a tratar dela, alimentámo-la, demos-lhe
cuidados veterinários, uma casota grande e quentinha,
comida e biscoitos bons, água fresca todos os dias,
durante
dois anos.
Depois desses dois anos, quem a tinha abandonado, apanhou-a de
noite e levou-a para longe ou sabe-se lá que mais
poderão ter-lhe feito... Foi tudo o que descobrimos...
A
polícia não faz nada, e, além disso, diz que não somos
permitidos de divulgar nem nome nem morada das pessoas
que a fizeram desaparecer, não podemos sequer colocar
cartazes na rua mostrando a nossa revolta, nem sequer,
podemos obrigá-las a dizer o paradeiro da Laica ou o
destino... caso façamos algo, seremos nós as acusadas.
Estamos muito aflitos, pois esta cadelinha tem problemas
nas patas traseiras e é quase cega.
É
muito sociável e extremamente meiga, e adorava
passear...